A SANTIDADE de Cristo refletida na maternidade
- 1 de mar.
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Atualizado: 14 de mai.

Quantas vezes, diante de decisões difíceis, você já se perguntou: “Senhor, o que devo fazer?”. Essa é uma pergunta legítima de quem deseja viver a vontade de Deus. No entanto, quando ela se torna a única questão que levamos a Ele, corremos o risco de tratá-Lo como um simples provedor de respostas rápidas. A busca constante por sinais — das situações mais simples às mais complexas — pode nos levar a equívocos ou até à sensação de que Deus está em silêncio.
A proposta desta nova série de estudos, que nos acompanhará ao longo de 2026, “Espelho: refletindo os atributos de Cristo na maternidade”, é trocar a pergunta “o que devo fazer?” por “quem eu devo ser?”. Separe alguns instantes para refletir sobre os seus problemas atuais. Se você os olhasse com essa nova pergunta e perspectiva, o que mudaria na prática?
Se perguntarmos à Bíblia, veremos que Deus de forma alguma esconde ou cala a Sua vontade para nossas vidas. Ela nos diz: seja como Cristo. A Palavra de Deus nos revela muitos atributos de Cristo. Alguns pertencem exclusivamente a Deus e jamais poderemos alcançá-los. São eles: Deus é infinito, incompreensível, autoexistente, autossuficiente, eterno, imutável, onipotente, onisciente, onipresente e soberano. São os chamados atributos incomunicáveis de Deus. Sempre que desejamos ou tentamos alcançá-los, fatalmente pecamos.
A cada mês, vamos nos debruçar sobre um atributo comunicável de Cristo, ou seja, atributos de Deus que Ele imprimiu em nós, nos concedeu, mas que foram manchados pelo pecado. São eles: Deus é santo, amoroso, justo, bom, misericordioso, gracioso, fiel, verdadeiro, paciente e sábio. Buscaremos formas práticas de aplicá-los e desenvolvê-los em nossa vida, especialmente na maternidade.
Este mês, começaremos pelo atributo que, de longe, é o mais citado na Bíblia: santidade.
Deus é SANTO
Toda mãe conhece a técnica, quase instintiva, da repetição. Repetimos, incansavelmente, aquilo que consideramos mais importante e que não queremos que nossos filhos esqueçam de jeito nenhum. A palavra “santo” é citada mais de 70 vezes na Bíblia. “Santificar”, cerca de 200 vezes.
Se pedissem agora para você completar a frase “Deus é…”, o que responderia? A maioria de nós diria “amor”, “bom”, “justo”, “maravilhoso”… Mas poucos se lembram primeiro da palavra “santo”, mesmo sendo esse o atributo mais repetido e ressaltado na Bíblia. Por que será?
Podemos arriscar uma resposta. Deus é infinito e, em nossa finitude, jamais conseguiremos compreendê-Lo em Sua plenitude. A nossa compreensão de quem Ele é passa por muitas variáveis, e várias delas são pessoais: experiências de vida, relacionamento com os pais e a família, a forma como Deus nos foi apresentado na infância, nossa personalidade, entre outras.
Pensar sobre isso deve nos levar a uma pergunta muito importante: o Deus a quem sirvo e com quem me relaciono é o mesmo Deus descrito nas Escrituras ou é um Deus que fui construindo para mim ao longo da vida? Precisamos refletir sobre isso com honestidade e lembrar que o único Deus verdadeiro é o Deus revelado nas Escrituras. Para conhecê-Lo, precisamos lê-las.
Sim, Deus é amor. Deus é justo. Deus é bom. Mas Seu amor, Sua bondade e Sua justiça só são perfeitos porque estão fundamentados em Sua santidade. Seu amor é perfeitamente santo; Sua justiça também. Caso contrário, seriam amor e justiça corrompidos, como os nossos.
Jen Wilkin, autora do livro “Renovadas: 10 maneiras de refletir os atributos de Deus” — livro que nos acompanhará neste ano — define santidade como “o somatório de toda a excelência moral, a antítese de todo erro ou desvio moral”. Ela também afirma que a palavra carrega a ideia de algo separado, sagrado, destacado, com completa pureza de caráter.
A Bíblia diz que os anjos cobrem o rosto na presença de Deus, tamanha é a Sua santidade. R. C. Sproul disse certa vez: “Somente uma vez nas Escrituras Sagradas um atributo de Deus é mencionado três vezes sucessivamente. A Bíblia diz que Deus é santo, santo, santo. Não que Ele seja meramente santo, ou mesmo santo, santo. Ele é santo, santo, santo. A Bíblia nunca afirma que Deus é amor, amor, amor; ou misericórdia, misericórdia, misericórdia; ou ira, ira, ira; ou justiça, justiça, justiça. Ele é santo, santo, santo, e toda a terra está cheia de Sua glória.”
Você já ouviu dizer que somos o povo santo? A Bíblia se refere aos filhos de Deus dessa forma muitas vezes. Por exemplo, em Efésios 2:19: “...sois concidadãos dos santos e membros da família de Deus”; e em Romanos 15:25-26: “...vou a Jerusalém para ministrar aos santos”. Isso significa que somos um povo separado para a honra e glória de Deus.
A salvação em Cristo nos garante a santidade posicional diante de Deus, mas ela é seguida da busca pela santidade prática. Todos os salvos, no momento da conversão, são chamados a fazer a vontade de Deus e a viver o processo de santificação, ou seja, a se parecer cada vez mais com Cristo.
A Bíblia diz que fomos salvos para isso: “...nos escolheu nele antes da fundação do mundo, para sermos santos e irrepreensíveis diante dele...” (Efésios 1:4); “Agora, porém, libertados do pecado e feitos servos de Deus, tendes o vosso fruto para a santificação, e por fim a vida eterna” (Romanos 6:22); e “Pois esta é a vontade de Deus: a vossa santificação...” (1 Tessalonicenses 4:3).
Santas como Ele é Santo
É verdade que não conseguimos com nossas próprias forças e que dependemos da capacitação de Deus nessa jornada. Mas precisamos assumir nosso compromisso e responsabilidade. Uma cilada muito comum é achar que nossa saúde depende da nossa disciplina — academia, dieta —, que nossos estudos e trabalho dependem de foco e esforço, mas que nossa caminhada com Deus está apenas nas mãos d’Ele. Não sejamos negligentes.
Nossa caminhada com Cristo e o processo de santificação exigem disciplina e um compromisso sincero de coração.
Nosso grupo de oração presencial é formado integralmente por mães que mudaram de continente e precisaram se adaptar a uma nova cultura, ambiente, idioma e clima. Essa mudança é uma excelente metáfora para o processo de santificação, pois ele nos pede que deixemos coisas para trás — hábitos, gostos, interesses, manias, rituais — e os substituamos por coisas novas.
Você já orou pedindo a Deus que lhe dê ódio ao pecado? Peça hoje que Ele lhe dê repulsa por tudo aquilo que não O agrada. Mas, depois disso, crie novos hábitos. Preencha o vazio dos pensamentos ruins com a prática de pensamentos bons. Exercite uma nova reação ao contraditório, uma resposta mais branda, o perdão sem mágoas, a misericórdia, a bondade.
Você não mora mais onde costumava morar. Não é mais quem costumava ser. Você é nova criatura. Peça que Deus a transforme, dia após dia, naquilo para o que foi criada.
A passagem de Mateus 4:1-11 relata os ataques do inimigo a Cristo no deserto e como Ele resistiu a todos eles. Dela podemos tirar ensinamentos práticos para aplicar em nossa jornada pessoal de santificação.
No versículo 3, vemos a primeira coisa que o inimigo diz a Jesus: “Se você é mesmo Filho de Deus…”, atacando, em primeiro lugar, Sua identidade. Quando não sabemos quem somos, tornamo-nos alvos fáceis desse tipo de ataque. Quantos erros, escorregões ou passos para trás damos em nossa caminhada com Cristo por querermos provar quem somos ou tentar ser algo — ou alguém — que não somos? Precisamos assumir nossa identidade em Cristo para resistir a esses ataques.
No versículo 4, vemos como Cristo responde: “Está escrito…”. A Palavra de Deus precisa ser nossa base e nossa munição. Se confiarmos apenas em nosso coração ou discernimento, fatalmente cairemos. Mas o conhecimento e a intimidade com a Palavra — e, consequentemente, com o Deus da Palavra — nos preparam e fortalecem para essa jornada.
Cristo foi tentado em várias áreas: vaidade, poder, bens materiais e até sustento. Comer, em si, não é pecado. Mas, naquele contexto, seria. Deus vê além das aparências e enxerga o coração. Sabemos quando atitudes que não são condenáveis aos olhos humanos e parecem legítimas têm, na verdade, uma motivação pecaminosa. É aí que está a raiz da santidade, que precisa ser fortalecida antes de tudo.
Perseguindo a santidade na maternidade
Considere a imagem de um vaso quebrado que foi cuidadosamente restaurado. Apesar de continuar sendo apreciado pelo dono e usado como decoração, perdeu sua capacidade de carregar água, ou seja, perdeu sua função original. Façamos um paralelo com nossa vida, feita para refletir a glória de Deus, mas quebrada pelo pecado. Como a busca pela santificação pode ampliar a forma como Deus usa você? Pense em atitudes práticas que impactem as pessoas ao seu redor e, especialmente, seus filhos. Por outro lado, de que forma a negligência nessa área pode limitar a ação de Deus por meio da sua vida?
Reflita de maneira concreta: que hábito precisa ser abandonado? E qual novo hábito deve ocupar o seu lugar? Identifique pelo menos um de cada e comprometa-se, já nesta semana, a iniciar essa substituição. Pequenos passos consistentes fazem parte do grande propósito de nos tornarmos, cada vez mais, semelhantes a Cristo.
Ore conosco
Senhor Deus,
Obrigada porque, por meio do sacrifício de Cristo Jesus, o Senhor me tornou santa diante de Ti. Ajuda-me a desejar e buscar, todos os dias, a santidade prática, para que eu seja cada vez mais útil em Tuas mãos. Forma em mim um caráter que reflita o Teu, para que eu me pareça Contigo a cada dia e seja instrumento restaurado para abençoar a vida dos meus filhos e de todos ao meu redor. Torna, Senhor, mais claros aos meus olhos os pecados que ainda habitam em mim. Que eu perceba com nitidez o contraste entre eles e a Tua perfeita santidade. Dá-me aversão ao pecado e alegria na Tua justiça.
Em nome de Jesus,Amém.

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