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Maria: a graça de poder servir

  • 7 de fev.
  • 5 min de leitura

Atualizado: 8 de fev.


Chegamos, enfim, à última mãe da série de estudos que deu nome ao nosso grupo de oração: Mães da Bíblia. Ao longo dos últimos meses, refletimos sobre a vida de mulheres reais e suas experiências de maternidade registradas nas Escrituras. Em diferentes contextos e circunstâncias, essas histórias nos ensinaram muito sobre o caráter de Deus, Sua forma de se relacionar conosco e o que Ele espera de nós nessa jornada desafiadora e, ao mesmo tempo, graciosa.


Para encerrar a série, deixamos a mãe mais conhecida da Bíblia. Sim, a mãe do personagem central da história da redenção. Aquela que esteve intimamente ligada ao cumprimento do plano soberano de Deus por meio de Cristo Jesus. Justamente por isso, sua vida e sua participação nesse plano carregam muitas discussões e interpretações ao longo da história.

Independentemente das polêmicas, há algo em que todos concordamos: sua maternidade não se compara a nenhuma outra relatada na Bíblia. Foi única na história da humanidade. Nunca houve, antes ou depois dela, uma mulher que tivesse sido mãe do próprio Deus encarnado. 


Por essa razão, não conseguimos nos colocar plenamente em seu lugar. A missão confiada a Maria envolve um mistério que ultrapassa nossa experiência como mães. Ainda assim, a Bíblia nos revela o suficiente para aprendermos com ela. Maria era humana, limitada e pecadora como nós, mas sua fiel caminhada diante de uma missão tão extraordinária tem muito a nos ensinar.


A jovem agraciada por Deus


Ainda na pré-adolescência, Maria recebe a visita de um anjo que lhe traz grandes notícias: ela daria à luz o Filho de Deus, o Salvador e Messias aguardado por seu povo. O anjo lhe disse: “Não temas, porque achaste graça diante de Deus” (Lucas 1:30). Ao final da conversa, Maria se dispõe com humildade e plena confiança no plano do Senhor: “Eis aqui a serva do Senhor; cumpra-se em mim segundo a tua palavra.” Em seu cântico de louvor a Deus, durante a visita à prima Isabel, dias após o grande anúncio, Maria demonstra ter consciência da dimensão do que estava vivendo: “Pois eis que, desde agora, todas as gerações me chamarão bem-aventurada” (Lucas 1:48).


Ainda assim, ao longo de sua trajetória ao lado de Jesus, Maria demonstra diversas vezes que não sabia exatamente como tudo aconteceria. Aos doze anos, Jesus é encontrado por seus pais no templo, depois de dias desaparecido. Quando diz: “Por que me procuráveis? Não sabíeis que me convinha estar na casa de meu Pai?” (Lucas 2:49), os versículos seguintes revelam que Maria não compreende plenamente o que Ele diz. Também no relato do primeiro milagre de Cristo, percebemos a distância entre os pensamentos de Jesus e os de sua mãe: “Mulher, que tenho eu contigo? Ainda não é chegada a minha hora” (João 2:4). Mais tarde, Maria assistiu à humilhação, ao sofrimento e à morte de seu Filho perfeito, pregado em uma cruz. 


Maria não tinha todas as respostas. O anjo não lhe deu instruções detalhadas, explicações completas, tampouco garantias de uma vida fácil. Garantiu apenas que ela encontraria graça diante de Deus. Sustentada por essas palavras, Maria permaneceu firme diante de injustiças, perseguições e desafios de toda ordem ao longo da vida de Cristo.


Aprendendo com a vida de Maria


Maria encontrou graça diante de Deus. Isso não é uma conclusão nossa; o próprio Deus afirma isso por meio do anjo. Mas o que acontece logo após esse anúncio tão belo? Maria, ainda pré-adolescente, se vê grávida antes de se casar oficialmente com José — um escândalo e, na época, até um crime. Seu noivo, por sua vez, planeja abandoná-la sozinha nessa situação. Foi necessário que um anjo lhe aparecesse para convencê-lo a permanecer. Maria deve ter sofrido muitas injustiças e maledicências nessas circunstâncias. Pariu em meio aos animais, sem prestígio social nem qualquer conforto material. Quando seu Filho nasceu, precisou fugir para o Egito para protegê-lo de Herodes.


Ainda assim, permaneceu fiel ao seu voto de submissão aos planos de Deus, enfrentando situações para as quais não estava preparada. Sofreu com a morte terrível de Jesus e não é difícil imaginar que, após a ressurreição de Cristo, também tenha enfrentado perseguições, assim como os outros discípulos.


Onde estava, então, a graça de Deus?


Nós, infelizmente, mesmo quando já caminhamos com Cristo, carregamos conceitos e ideias que não têm relação com os ensinos da Palavra. Um exemplo claro é associar uma vida agraciada e abençoada por Deus a uma vida fácil e confortável. Em algum momento, nos deixamos convencer de que Deus só nos ama ou cuida de nós quando remove todo desconforto da vida terrena e realiza nossos desejos. À luz das Escrituras, porém, essa ideia se torna insustentável quando olhamos para a vida de Maria, uma mulher declaradamente agraciada por Deus.

Acreditar que uma vida abençoada é aquela que atende aos nossos desejos, vontades e conforto tira Deus do centro e nos coloca no trono de nossas próprias vidas. Isso também produz um coração ingrato e inclinado à murmuração. Precisamos abandonar essa visão secular de graça e adotar aquilo que o próprio Deus nos ensina. Em nossas orações, devemos pedir a bênção de servir, de sermos úteis a Deus, independentemente do preço que isso nos custe nesta terra. Com os olhos e o coração voltados na direção correta, Sua graça nos acompanhará, trazendo contentamento e paz ao longo da jornada.


Ainda sobre servir, tiramos um segundo ensinamento da vida de Maria: se servimos esperando reconhecimento, méritos ou glória, não servimos a Deus, mas a nós mesmas.

Frases como “eu merecia mais consideração” ou “depois de tudo o que fiz, é isso que recebo?” saem com facilidade da boca de mães cansadas, que se doam sem reservas. Todas nós compreendemos esse sentimento e, muitas vezes, cedemos a essa tentação. No entanto, é necessário examinar honestamente nossos corações diante de Deus para entender a motivação por trás de tanta entrega. Mesmo atitudes que parecem nobres podem esconder raízes pecaminosas. Se o que nos move é a construção de uma reputação, aparência, validação, admiração ou reconhecimento, corremos o risco de nos tornarmos nossos próprios ídolos.


Em Atos 1, versículo 14, vemos que, apesar de tudo o que viveu e enfrentou, Maria não se destacava dos outros cristãos: “Todos estes perseveravam unanimemente em oração e súplicas, com as mulheres, e Maria, mãe de Jesus, e com seus irmãos.” Não vemos aqui reivindicação de honra por ter sido a mãe do Salvador, nem busca por reconhecimento. Sua vida e seu testemunho, mesmo em meio às adversidades, apontaram exclusivamente para a glória do único que a merece: Cristo Jesus.

Que esse também seja o desejo dos nossos corações: que todo o nosso serviço aponte para Deus. Que sejamos boas mães, esposas, filhas e amigas para que outros glorifiquem a Deus e se sintam amados por Ele.


Ore conosco


Senhor Deus, transforma nossos corações e a nossa maneira de compreender as circunstâncias da vida. Retira nossos olhos do conforto, dos desejos materiais, das vontades do nosso próprio coração e da busca por validação. Que nosso olhar esteja voltado apenas para Ti, para a forma como nossa vida Te serve, Te honra e Te glorifica.

Acompanha-nos ao longo dessa jornada com a Tua força, paz e contentamento. Arranca de nossos corações qualquer desejo por reconhecimento, para que tudo o que façamos aponte sempre para o Teu nome, a Tua honra e a Tua glória.

Amém.





 
 
 

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